Quem circula pelas agências de emprego de Campinas, Belo Horizonte ou Niterói percebe algo que não se via com tanta clareza há um ano: as filas estão menores e as ofertas, mais variadas. Os dados do CAGED confirmam a impressão no campo — o Sudeste registrou saldo positivo de admissões formais pelo quarto mês consecutivo, com destaque para os setores de serviços, tecnologia da informação e saúde.
Não estamos falando de um boom. A taxa de desocupação ainda incomoda, especialmente entre jovens e trabalhadores acima de 50 anos. Mas a direção mudou, e isso importa para quem precisa pagar aluguel, financiar estudo ou simplesmente recuperar a confiança depois de meses de incerteza.
São Paulo puxa, mas o interior surpreende
A capital paulista continua sendo o principal motor de contratações da região, com vagas em logística, comércio eletrônico e atendimento ao cliente. O que chama atenção desta vez é o desempenho das cidades do entorno: Sorocaba, Jundiaí e Ribeirão Preto aparecem entre os municípios com maior crescimento proporcional de empregos formais no trimestre.
Em Ribeirão, conversei com a dona de uma confecção que contratou oito costureiras em maio — a primeira leva de contratações desde 2024. "O pedido voltou, o cliente pagou em dia e a gente conseguiu respirar", resume Maria Helena, 47 anos. Histórias assim se repetem em segmentos que dependem do consumo doméstico e da cadeia têxtil.
Minas Gerais e o setor de serviços
Belo Horizonte e a região metropolitana se beneficiam da expansão de empresas de tecnologia e de serviços financeiros que migraram parte das operações para cidades com custo menor que São Paulo. O setor de saúde suplementar também contrata: enfermeiros, técnicos e profissionais administrativos estão entre os perfis mais demandados.
No interior mineiro, Uberlândia e Juiz de Fora se destacam. A primeira pela logística e agronegócio; a segunda pela indústria metalmecânica, que retomou turnos após ajustes de estoque no ano passado.
Rio de Janeiro: turismo ajuda, mas não basta
O Rio vive um momento misto. O turismo doméstico aquecido — tema que abordamos em outra matéria — impulsiona hotéis, restaurantes e transporte. Por outro lado, a indústria do petróleo passa por ciclo de manutenção, o que limita contratações em algumas frentes.
Ainda assim, o saldo do CAGED no estado foi positivo em maio, puxado por serviços e pela construção civil em obras de infraestrutura urbana. A revitalização de áreas portuárias e projetos de mobilidade geram empregos temporários que, muitas vezes, se convertem em vagas permanentes.
Quando o Sudeste contrata em escala, o efeito chega a fornecedores no Norte e no Sul. Não é exagero dizer que a região ainda funciona como termômetro do emprego formal brasileiro.
O que observar daqui para frente
Os economistas com quem conversei apontam três fatores para manter o otimismo cauteloso: inflação controlada, que preserva o poder de compra; crédito mais acessível para pequenas empresas; e a retomada gradual do investimento público em obras.
Os riscos não desapareceram. Cenário internacional instável, juros ainda elevados para padrões históricos e a necessidade de qualificação profissional seguem no radar. Mas para quem busca vaga CLT no Sudeste, o semestre começou com tom bem mais animador do que o anterior.
Na próxima semana, vamos acompanhar como o consumo das famílias reage a essa melhora no emprego — e se o efeito chega às prateleiras dos supermercados.
Atualizado em 12 de junho de 2026